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Coletores menstruais: a nova moda

Optando por alternativa sustentável, econômica e de maior conforto, as mulheres têm deixado o absorvente de lado

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Mais do que moda, coletor menstrual é questão de bem-estar. Quem menstrua sabe que usar absorvente não é nada agradável. Absorventes externos causam assadura, cheiros desagradáveis, vazamentos, podem desencadear uma reação alérgica e até nos impedir de usar certas roupas. Absorventes internos podem causar vazamentos inesperados em dias de fluxo intenso, além de alergias, secura e outras dezenas de contras que variam de pessoa para pessoa.

O coletor é um “copinho” feito de silicone medicinal ou de TPE, um material semelhante à borracha. Em um primeiro momento, o seu tamanho pode assustar. Porém, para inserir o coletor, existem diversos tipos de dobras que fazem com que ele fique do tamanho aproximado de um absorvente interno. Após ser inserido, o coletor se abre e coleta o sangue, sem causar nenhum incômodo, já que o canal vaginal é elástico e se adapta ao formato do coletor que, por sua vez, é maleável e também se molda conforme cada corpo. Além disso, existem diversas marcas e diferentes tamanhos e modelos de coletores, próprios para cada tipo de corpo e anatomia. A maioria das pessoas que usa o coletor chega a esquecer que está usando, de tão confortável que ele é.

Além do benefício no quesito conforto, o coletor também ganha pontos do ponto de vista ecológico. Enquanto normalmente uma mulher gasta mais de 15 absorventes por mês, que demoram muito tempo para se degradar, o mesmo coletor pode ser usado por até dez anos, segundo algumas marcas. Para a higiene, basta ferver o coletor no início e no fim de cada ciclo, além de lavá-lo com sabonete neutro toda vez que houver o esvaziamento, que deve acontecer no mínimo duas vezes por dia. E esvaziar o coletor é bem fácil: basta apertar sua base, puxá-lo, esvaziar o sangue e fazer sua higiene. 

O único ponto “negativo” do coletor é que ele não é tão barato. Seu preço médio é de 90 reais, o que é ruim caso você compre e não se adapte. Porém, se comparado ao dinheiro gasto em absorventes durante dez anos, o coletor é financeiramente muito mais econômico. Além disso, se houver a insistência em aprender o uso correto do coletor, é muito difícil não se adaptar.

Coletor X absorvente externo - As diferenças são muitas e, entre elas, estão os benefícios de não causar assaduras ou alergias, nem marcar as roupas. Ou seja, muito mais liberdade naqueles dias. E, se colocado corretamente, as chances do coletor vazar são muito pequenas. Outro ponto positivo é que, como as marcas recomendam que o esvaziamento seja feito, no máximo, de 12 em 12 horas, pode-se ficar muito mais tempo sem esvaziar o coletor, se comparado às trocas do absorvente externo. 

Coletor X absorvente interno – Quem já usou um absorvente interno sabe que retirá-lo não é a coisa mais agradável do mundo, já que ele incha muito. Isso acontece porque além de reter o sangue, esse tipo de absorvente também absorve toda a umidade natural da vagina, necessária para a saúde íntima. Dessa forma, o canal vaginal fica ressecado e sem sua lubrificação natural. Já o coletor menstrual não absorve nada: ele apenas “guarda” o sangue, sem influenciar na umidade vaginal. Além disso, quem menstrua sabe que a menstruação nem sempre é totalmente líquida, podendo apresentar alguns coágulos. Nesse caso, o absorvente interno não consegue absorver o sangue e pode acabar vazando, enquanto o coletor apenas coleta e armazena todo o sangue e coágulos liberados pelo útero, sem causar vazamentos.

Apesar do que possa parecer, o coletor não é nada novo. Existente desde a década de 20, ele é muito popular na Europa e EUA, ficando famoso no Brasil somente agora. Pouco se fala sobre ele porque é um grande concorrente das marcas de absorventes. Além disso, muitas pessoas têm certo preconceito com a ideia. Na nossa cultura, a mulher é ensina a ter vergonha de seu corpo e de seu ciclo menstrual, como se fosse algo que causa repulsa. Para usar o coletor a pessoa precisa conhecer seu corpo, seu colo do útero, e também precisa ter contato com seu sangue menstrual. Embora muitas pessoas vejam isso como algo nojento e errado, o coletor também gera esse autoconhecimento corporal que nos é proibido desde a pré-adolescência. 

Se você gostou da ideia ou se pelo menos esse simpático coletor despertou sua curiosidade, entre no grupo fechado do Facebook “Coletores Brasil - menstrual cups”. A moderação do grupo só permite a entrada de pessoas que menstruam, e lá você encontrará dicas, depoimentos, instruções de como encontrar a marca, o tamanho e o modelo certo para você, além de ter o apoio de várias mulheres que amam o coletor. Nem sempre a adaptação é rápida, mas quando ela chega, a felicidade é unânime.

Fernanda Guillen, repórter do AreaM