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O que você precisa saber sobre o Zika Vírus

As principais informações e dúvidas sobre a Zika e suas possíveis complicações

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O Zika Vírus é o assunto do momento. Quando ligamos a televisão, nos deparamos com notícias e mais notícias sobre o tema. Muitos dos estudos sobre a doença e suas possíveis complicações, no entanto, ainda não são conclusivos, o que provoca dúvidas em muitas pessoas. Por isso, organizamos um guia com as principais informações e dúvidas sobre o zika.

Transmissão
A principal forma de transmissão da zika é, como todos sabem, pela picada do mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. Ele costuma picar durante o dia, mas também podem acontecer ataques à noite. 

É possível a transmissão por meio de relações sexuais?
Não há estudos conclusivos sobre essa forma de transmissão, mas é mais sensato se proteger. Houve um caso de transmissão do zika vírus através do sêmen relatado na literatura em 2011. Um homem que morava nos Estados Unidos viajou para o Senegal, onde contraiu a doença. Quando voltou para casa, teve relações sexuais sem proteção com sua mulher. Ela contraiu a doença, que foi confirmada por exames, mas a presença do vírus no sêmen não foi investigada. 

Como é possível a transmissão do Zika da mãe para o feto, ainda dentro do útero? 
O meio de transmissão do Zika vírus da mãe para o bebê ainda dentro do útero (o que causaria a microcefalia) também não está totalmente claro. Mas um estudo com gestantes de fetos com microcefalia mostrou a presença do vírus no líquido amniótico. É provável que o vírus atravesse a barreira placentária – responsável por proteger o bebê de infecções – para contaminá-lo.

É possível a transmissão pelo leite materno?
Foi feito um estudo por cientistas da Polinésia Francesa, com duas mães diagnosticadas com o vírus e seus respectivos bebês, que também tiveram a doença. Foi encontrado DNA de zika no leite materno, mas a transmissão através da amamentação não foi confirmada. Apesar disso, os responsáveis pelo estudo sugerem no artigo que a amamentação seja considerada um meio de infecção até que essa possibilidade seja totalmente descartada. Lembrando que, se o zika vírus for transmitido para o bebê pela amamentação, portanto após o nascimento, não existe o risco de microcefalia, que só pode ocorrer enquanto o feto está no útero. 

É possível a transmissão por transfusões de sangue?
Os cientistas polinésios detectaram o vírus também em reservas de sangue destinadas a transfusões. Como os sintomas do zika demoram alguns dias para aparecer (de 3 a 12 dias, em geral), a pessoa contaminada às vezes acredita que está saudável e que pode doar sangue.  Apesar de o vírus estar presente nas transfusões, nenhuma pessoa que recebeu o sangue com zika desenvolveu a doença.

Sintomas e tratamento
Os sintomas de zika são parecidos com os da dengue, e começam de 3 a 12 dias após a picada do mosquito. Os principais sintomas de Zika são febre, dores nas articulações, dores musculares, dores de cabeça e erupções cutâneas com coceira. O tratamento para o Zika é sintomático, isso que dizer que não há tratamento específico para a doença, só para alívio dos sintomas. E, assim como no caso da dengue e da febre chikungunya, deve-se evitar usar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) e de outros antiinflamatórios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam) porque podem levar a sangramentos.

Complicações
O zika, segundo estudos, poderia levar a algumas complicações, tais como a microcefalia (que a mãe transmitiria ao feto) e a Síndrome de Guillan-Barré, uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso por engano, causando inflamação nos nervos e fraqueza.

Segundo o Ministério da Saúde, enquanto que entre 2010 e 2014 foram registrados um total de 781 casos de microcefalia em bebês em todo o país, no ano de 2015 foram registrados 3.174 casos suspeitos da doença em recém-nascidos e 29 óbitos em 684 municípios do Brasil. Boa parte dessas mães que tiveram filhos com a doença apresentaram um quadro de febre associado a manchas avermelhadas pelo corpo no início da gravidez, ambos sintomas da infecção pelo Zika. 

Está confirmada a relação entre o Zika e a ocorrência da microcefalia em recém-nascidos? 
No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou nota em novembro de 2015, em que considerou confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Afirmou que as investigações a respeito do tema deveriam continuar, mas que, em análise inicial, o risco estaria associado aos primeiros três meses de gravidez. 
Já no que diz respeito ao cenário internacional, a OMS (Organização Mundial da Saúde) sinalizou em 12/02/2016 que, em algumas semanas, haverá a confirmação definitiva da relação entre o vírus da zika e os casos de microcefalia. Enquanto isso, a relação ainda não está totalmente confirmada. Há muito médicos, inclusive, que acreditam que não haja essa relação, afirmando que a microcefalia em bebês pode não ter como causa necessariamente o vírus zika, mas sim outros fatores. 
Adriana Melo, líder do grupo que foi pioneiro na identificação do  vírus no líquido amniótico de grávidas, acredita que a microcefalia desses bebês trata-se de uma “doença nova”. Conta que, em toda a sua experiência de 18 anos com ultrassonografia fetal, nunca tinha visto o padrão de alterações cerebrais que têm os bebês de mães infectadas por zika durante a gravidez. "As alterações não batiam com nenhuma síndrome conhecida. Se eu não estivesse no dia a dia, talvez também não acreditasse." No entanto, ela acha que o alerta da OMS foi importante, porque muitas mães podem tomar medidas preventivas a partir de agora, evitando possíveis complicações, apesar de ainda não estar totalmente comprovada a relação.

Prevenção
Evite o acúmulo de água
O mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso, jogue fora pneus velhos, lave regularmente a vasilha de água de seu animal de estimação, mantenha sempre fechadas tampas de caixas d'água e cisternas, vire garrafas com a boca para cima, drene seu terreno em caso de haver risco de formação de poças, coloque areia nos vasos de plantas ou lave-os regularmente.
Em casos de ralos que conservam água parada em seu interior, o ideal é que sejam fechados com uma tela ou que sejam higienizado com desinfetante regularmente.

Limpe as calhas
Caixas d’água são criadouros muito produtivos do mosquito, mas as larvas também podem ser encontradas em locais com pequenas quantidades de água, como em calhas e canos. Por isso, eles devem ser checados todos os meses, já que um leve entupimento pode criar locais ideais para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

Lagos caseiros e aquários
Peixes são grandes predadores de larvas aquáticas de mosquitos, então aquários não são um problema. Cuidado maior deve ser tomado com piscinas que não são limpas com frequência.
Seja consciente com seu lixo
Não jogue lixo em valetas, valas, riachos e margens de córregos. Dessa forma, você evita obstruções e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas.

Uso de repelentes
Recomenda-se o uso de repelentes industrializados, e não caseiros (como andiroba, cravo-da-índia, citronela e óleo de soja), porque eles não possuem grau de repelência forte o suficiente para manter o mosquito longe por muito tempo. Além disso, o repelente deve ser reaplicado a cada duas horas, e em caso de contato com a água, inclusive a do mar.

Colocação de telas em portas e janelas
É importante colocar telas em portas e janelas, evitando que o mosquito entre em casa. No entanto, esta é uma medida paliativa, já que o foco deve estar na prevenção do desenvolvimento das larvas.

Suplementação vitamínica do complexo B
Tomar suplementos de vitaminas do complexo B e comer alimentos de cheiro forte, como o alho, podem mudar o odor que nosso organismo exala. Isso confunde o mosquito e funciona como uma espécie de repelente. No entanto, isso também não é suficiente, e a estratégia deve sempre se somar à prevenção.