A verdadeira história do Dia da Mulher Saiba quais foram as sucessivas lutas que levaram à instituição do 8 de março, Dia Internacional da Mulher gplus
   

A verdadeira história do Dia da Mulher

Saiba quais foram as sucessivas lutas que levaram à instituição do 8 de março, Dia Internacional da Mulher

Confira Também

Existe um mito de que o Dia Internacional da Mulher se iniciou em razão de um incidente em que várias operárias, que estavam em greve, foram trancadas e queimadas vivas dentro de uma fábrica em Nova York. O fato é verdadeiro. No entanto, o Dia da Mulher não foi instituído em razão disso, mesmo porque o evento ocorreu em 25 de março de 1911, e não em 8 de março de 1857, como muitos acreditam. O Dia da Mulher tem história mais antiga e mais longa e não se resume a este incidente.

Ana Isabel Alvarez Gonzalez, autora do livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, pesquisou o tema do Dia da Mulher em acervos documentais de bibliotecas norte-americanas. No livro, ela diz que foram muitos os movimentos de mulheres ao longo dos séculos 19 e 20. Nesta época de Revolução Industrial, os salários eram medíocres; as jornadas de trabalho, extremamente exaustivas; as condições, péssimas.

O Dia da Mulher ganhou dimensão internacional em 1910 (ou seja, um ano antes do incêndio das operárias em Nova York). A alemã Clara Zetkin, fundadora da revista Igualdade, e que se dedicava à conscientização feminina, deu a sugestão de criar um dia em comemoração às lutas das mulheres na Conferência das Mulheres Socialistas. Essa ideia foi acatada na reunião, que ocorreu na Dinamarca. No entanto, ainda não havia menção ao 8 de março nem a qualquer outra data.

Em 8 de março de 1917, trabalhadoras russas entraram em greve. Este foi o primeiro momento da Revolução de Outubro na Rússia, e o fato que realmente "definiu" o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. 

Somente quase 30 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que firmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou força; em 1975, comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher; e, finalmente, em 1977, o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos outros países, melhores condições de trabalho e de qualidade de vida. A luta feminina ganhou poder com o movimento das sufragistas (que buscavam o direito ao voto), nas décadas de 20 e 30. Elas atingiram seu objetivo em 1932, pela Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970, surgiram no Brasil organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade de gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado e, em 1985, surgiu a primeira Delegacia Especializada da Mulher.