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Transtorno Dismórfico Corporal: a “doença da beleza”

Saiba mais sobre o distúrbio em que a pessoa tem uma visão distorcida da própria imagem

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Toda a mulher, desde a infância, é apresenta ao padrão de beleza “aceitável” pela sociedade moderna, ou seja, se ela quer ser considerada bonita, precisa ter seios grandes, bumbum idem e barriga lisinha. Mas, mesmo com onda de incentivos nos últimos tempos para que as mulheres se aceitem cada vez mais como são, independente do número de calça que usam, ainda são inúmeros os casos de mulheres que deixam de comer ou comem desenfreadamente por não aceitarem seu tipo físico. 

Em maio de 2016, a mulher do apresentador Tiago Leifert, a jornalista Daiana Garbin – bonita, alta, loira e com olhos azuis – afirmou abertamente em seu canal YouTube, o “EuVejo”, que sempre sofreu de disformia corporal, transtorno popularmente conhecido como “doença da beleza”. Que é quando a pessoa foca nos defeitos - que nem sempre possui - e tem uma visão distorcida da própria imagem.

Depois do depoimento corajoso, o caso da jornalista ganhou repercussão e trouxe à tona a dismorfia da imagem, que é um quadro psicológico grave. Segundo ela, o primeiro episódio de descontentamento se deu ainda criança, em um dia que sua mãe foi buscá-la no balé e se surpreendeu ao vê-la chorar, pois se achava a mais gordinha entre as meninas. Alguns anos depois, Daiana chegou a fazer três lipoaspirações e tomar remédios para emagrecer, pois continuava insatisfeita com o corpo. “Eu sempre me vi maior do que sou. Me via mais alta e larga. Sentia que a minha caixa torácica era larga, os braços largos e grossos como de um homem, a cabeça grande. Sempre achei meu quadril largo e a bunda grande”, disse no vídeo.

De acordo com o psiquiatra Rodrigo Pessanha, o transtorno dismorfofóbico ou transtorno dismórfico corporal (TDC) se caracteriza essencialmente por uma alteração da percepção que a pessoa tem a respeito da sua estrutura corporal, que normalmente é percebida de forma desagradável, negativa e, em alguns casos, pode acontecer da pessoa se ver como um indivíduo desfigurado. “O importante é destacar a diferença desse transtorno psiquiátrico, que tem várias gradações, daqueles indivíduos que exageram em um traço do esquema corporal”, afirma o médico.

Aspectos faciais, como nariz, boca e olhos são as áreas mais suscetíveis de preocupação de quem sofre com TDC. O corpo também costuma entrar para a lista de rejeições constantes. “É muito comum a pessoa se sentir desfavorecida em relação ao seu contorno corporal. Em casos mais bizarros, a pessoa tem preocupação com relação à configuração dos ossos das mãos ou dos pés, por exemplo. Coisas que uma pessoa em sã consciência não iria se preocupar”, descreve Pessanha.

A faixa etária com maior prevalência dos sintomas, e a que mais deve ser observada, é a do fim da adolescência e início da vida adulta, justo quando a mulher está em período de transição e sofre com as mudanças constantes do corpo. Mas, apesar da grande incidência de mulheres que sofrem de TDC, no Brasil, há vários casos semelhantes da doença com pessoas do sexo masculino.

“A principal forma de diferenciar o transtorno de uma preocupação mais prevalente com a aparência é a questão da proporcionalidade. Temos que observar se a preocupação é proporcional à coisa em si, ou seja, o grau de comprometimento na vida social do indivíduo, do funcionamento profissional, acadêmico, determinado pela preocupação” diz o médico. 

Outras doenças já conhecidas, como anorexia e bulimia, têm em comum essa preocupação prevalente com a aparência, no entanto, possui mecanismos diferentes. Com relação a elas, não há uma certa apreensão com uma parte específica do corpo, como nariz e boca, por exemplo, mas sim com o peso. Elas acreditam, de maneira equivocada, que sofrem de obesidade mórbida. “É como se essas pessoas partissem de outra premissa. Enquanto uma pessoa com transtorno dismórfico quer ser bela, a pessoa com bulimia ou anorexia quer ser magra e sofre de constante ansiedade. O que há de comum entre os dois é uma percepção equivocada do seu corpo”, esclarece o médico.

Estima-se que 2% da população mundial sofram de TDC. E apesar do tratamento psiquiátrico ser difícil, não é impossível. Tudo vai depender da gravidade do transtorno e também dos sintomas. “Em certos casos, quando as preocupações são semelhantes às ideias do Transtorno Obsessivo Compulsivo usamos uma estratégia de tratamento semelhante, com antidepressivos que atuam sobre esse tipo de manifestação psicopatológica e rituais de checagem”, conclui Pessanha.