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Anticoncepcional e o risco de trombose

Estudo recente mostra que os anticoncepcionais da nova geração quadruplicam as chances de se desenvolver trombose

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Conforme um estudo recentemente publicado na revista The BMJ Today, a presença de drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona nas pílulas anticoncepcionais quadruplica as chances de se desenvolver trombose em relação às mulheres que não as tomam. Das dezessete pílulas mais conhecidas e comercializadas no Brasil, quinze apresentam esses componentes — mostramos ao final quais são.

Por mais que o risco absoluto seja baixo, caso a mulher tenha o perfil de trombofilia e não saiba, o método contraceptivo irá aumentar consideravelmente as probabilidades do aparecimento da doença. Esse foi o caso da professora Carla Simone Castro, que criou a página “Vítimas de anticoncepcionais. Unidas em favor da vida”. Carla tomou a pílula Yasmin por seis meses e, então, começou a sentir fortes dores de cabeça e congestão nasal. Os sintomas pioraram, mas mesmo depois de visitar três neurologistas e fazer duas tomografias com contraste, os médicos não a diagnosticaram com trombose. Somente após a ressonância e ter uma convulsão no consultório, Carla foi internada às pressas e se iniciaram os tratamentos. 

Trombose venosa cerebral é fatal e alguns exames ou até mesmo a propagação de informação por parte dos ginecologistas seria o suficiente para diminuir ou extinguir histórias como as de Carla. Ela sobreviveu, mas muitas não têm a mesma sorte. Em 2013, por exemplo, pelo menos 23 mulheres, no Canadá, faleceram como resultado dos efeitos nocivos, em sua maioria a formação de coágulos no sangue, das pílulas Yaz e Yasmin. 

Antes de tomar qualquer anticoncepcional, é importante que o ginecologista peça alguns exames, como, por exemplo, o para identificar a existência da mutação genética Fator V, um teste funcional para resistência da proteína C ativada ou o chamado D-Dímero. Com eles, é possível diagnosticar a predisposição trombótica. No entanto, pelo custo elevado, os médicos costumam solicitá-los apenas quando a mulher se encaixa em um perfil específico: fumantes acima dos 35 anos, obesas, diabéticas, hipertensas e com enxaqueca crônica. Mas e as diversas Carlas por aí que sofrem as consequências pela falta de cuidado? 

O estudo realizado pelos pesquisadores britânicos também computou que os casos extras de trombose, além dos esperados por ano, foram seis para as que tomavam contraceptivos com levonorgestrel e norgestimata e quatorze para os com desogestrel e ciproterona. Os dados correspondem a 10 mil mulheres entre 15 e 49 anos. Com isso, notou-se que, apesar de existente, o risco de trombose é menor para àquelas que tomam contraceptivos orais com estrogênio mais antigos, chamados de primeira e segunda geração.

No dia 9 de junho, essa questão será tratada em uma audiência na Câmara dos Deputados. Médicos e pacientes que sofreram danos pelo anticoncepcional conversarão sobre a necessidade da solicitação dos exames que indicam a pré-disposição trombótica. Esse passo é relevante visto que desde a criação da página de Carla no Facebook, mais de 1.400 mulheres relataram problemas com o medicamento, os quais poderiam ser evitados com a concretização de uma ideia simples: o direito à informação. 

Apesar dos resultados, a equipe da pesquisa ressaltou que não se pode tirar nenhuma conclusão definitiva sobre causa e efeito. Contudo, fica o alerta para as mulheres que pretendem começar a tomar a pílula e aquelas que já tomam. O anticoncepcional significa um grande avanço, desde científico até para a representação da mulher, mas não é por isso que os cuidados com o seu uso devem ser ignorados. Acompanhamento médico e os exames são essenciais para não transformar a pílula anticoncepcional em, finalmente, uma completa vilã. 

Abaixo, nós separamos a quantidade dos componentes citados no estudo em alguns contraceptivos orais: 

Os em itálico quadruplicam o risco e os roxos duplicam em comparação as mulheres que não tomam anticoncepcionais.

Diane 35: 2 mg de acetato de ciproterona.
Yasmin: 3 mg de drospirenona.
Selene: 2 mg de acetato de ciproterona.
Elani 28: 3 mg de drospirenona. 
Yaz: 3 mg de drospirenona.
Siblima: 0,06 mg de gestodeno.
Diminuit: 0,075 mg de gestodeno. 
Mercilon: 0,15 mg de desogestrel.
Tâmisa: 0,075 mg de gestodeno.
Cerazette: 0,075 mg de desogestrel.
Allestra 20: 0,075 de gestodeno.
Iumi: 3 mg de drospirenona.
Microvlar: 0,15 mg de levonorgestrel.
Mirelle: 0,06 mg de gestodeno.
Gynera: 0,075 mg de gestodeno. 
Femiane: 0,075 mg de gestodeno. 
Nortrel: 0,030 mg de levonorgestrel.