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Como tratar a compulsão alimentar?

Comer demais e sem vontade, engolir rápido e sentir culpa são alguns dos sinais da doença

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Comer demais de vez em quando é normal, principalmente nos finais de semana ou eventos especiais. Mas, sempre há aqueles que se descontrolam na frente da comida, mesmo quando não estão com fome. O resultado? Sérios problemas estomacais e sentimento de culpa.

Mas, será que a gulodice não pode se transformar em um transtorno? Quando o hábito de comer “além da conta” se torna recorrente e a pessoa sente a necessidade de comer, mesmo quando não sente fome ou quando já está satisfeita, é melhor tomar cuidado: isso são sintomas de compulsão alimentar.

De acordo com Mariana Nacarato, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), os principais fatores que levam a esse distúrbio são depressão, ansiedade, preocupação constante com o peso e cardápios restritivos. “Na maior parte dos casos de compulsão, a pessoa começa a comer com culpa e arrependimento quando está fissurada em cumprir à risca alguma dieta restritiva, daqueles falsos modismos que erroneamente cortam alimentos fonte de energia e indispensáveis no cardápio, como pães, massas e doces, que são vistos como ‘proibidos’. No primeiro contato com estes “pseudos vilões”, a ansiedade gera perda de controle e falta de bom senso com a quantidade a ser ingerida”, explica.

Os compulsivos, geralmente, não têm hora para comer e abocanham qualquer coisa o tempo todo, mesmo quando o corpo não precisa. Como consequência, 75% das pessoas com esse distúrbio químico nos mecanismos da saciedade ganham muito peso, pois consomem mais calorias do que precisam por dia, principalmente na forma de doces e gorduras. 

O assalto à geladeira durante a noite também é característica da compulsão alimentar. Segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria, este problema atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos – podendo alcançar metade dos indivíduos mórbidos.

Além disso, a gula excessiva também pode sinalizar algumas deficiências nutricionais do corpo. O desejo aumentado por doces pode indicar falta de magnésio (mineral que ajuda a produzir energia) ou cromo (mineral que auxilia nas funções de insulina), por exemplo.

Para driblar essa vontade exagerada de comer fora de hora, é essencial começar pela mudança no pensamento, compreendendo que excessos não fazem bem e que dentro de uma alimentação saudável é possível ter uma variedade de produtos, incluindo os mais ricos em energia (carboidratos) ou gordura. “É importante considerar que cada alimento tem uma porção e frequência adequada, e até os conhecidos como “guloseimas” podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que consumidos com moderação”, explica a nutricionista.

Alimentar-se prestando atenção nos sinais de fome e saciedade do corpo também é uma dica para contornar os momentos de gula. “Quando abrir espaço para um “docinho”, escolha um que goste bastante e aprecie com calma, pois desta forma é mais fácil se saciar com uma quantidade menor. Caso exagere, evite comportamentos de compensação como omitir refeições ou fazer jejuns, pois eles apenas agravam a sensação de culpa”, diz Mariana.

Atividades físicas também são recomendadas, uma vez que elas diminuem os níveis de depressão e ansiedade, com a liberação de endorfina, hormônio que dá sensação de prazer, e substitui a serotonina liberada pela comida, cujo efeito é semelhante.

Por fim é válido lembrar que alimentação não é apenas o consumo de nutrientes, e sim um ato social e um prazer que sempre acompanhou os seres humanos. Portanto, aproveite este momento sabendo equilibrar frequência e quantidade, sem recorrer à gula, para não criar uma compulsão alimentar.