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Depressão pós-parto: mais comum do que se imagina

Especialista estima que problema atinja de 15 a 20% das mulheres

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Espera-se que o período da gestação e do nascimento do bebê seja de alegrias e emoções positivas para toda a família. Entretanto, é grande o número de mulheres que se queixam de certa tristeza, preocupação e irritabilidade momentos antes da criança nascer e após dar à luz. Se esses sentimentos forem passageiros e desaparecerem em alguns dias, não há motivo para preocupação, mas, se eles persistirem, pode ser um sinal claro de depressão pós-parto.

Sabe-se que uma depressão pós-parto atinge cerca de 15 a 20% das mulheres, principalmente nas primeiras 4 a 6 semanas após o parto. O quadro mais leve e transitório de depressão, também conhecido como “maternity blues”, chega a acometer 60% das mulheres no pós-parto. 

Os sintomas, como tristeza, choro fácil, labilidade das emoções e desânimo, são sentidos nos primeiros dias, logo após o parto, mas desaparecem com o tempo, em questão de uma ou duas semanas. Já a depressão pós-parto é mais grave, e pode surgir antes mesmo do parto, no final da gestação. Os sintomas são similares aos da depressão comum, como tristeza, apatia, ideias de culpa, insônia e até desinteresse pelo bebê. “São múltiplas as causas da depressão pós-parto, incluindo desde a predisposição genética (parentes com histórico de depressão), a predisposição pessoal, fatores de estresse durante a gestação, as bruscas alterações hormonais no pós-parto, além de fatores sociais e culturais (toda a responsabilidade de ser mãe, o estresse de cuidar do recém-nascido, 24 horas por dia, 7 dias por semana)”, explica o psiquiatra Dr. Mario Louzã.

O tratamento, dependendo do caso, pode incluir medicação antidepressiva, sempre com orientação médica – principalmente se a mãe estiver amamentando o bebê. “Além da medicação, a psicoterapia pode auxiliar a mãe a lidar com as dificuldades e responsabilidade da nova vida”, comenta Louzã.

Mas antes de iniciar o tratamento, é preciso que a recém-mamãe faça um diagnóstico, para saber em que “fase” se encontra. “Se a depressão for leve, o já citado "blues", os sintomas desaparecem em dias ou poucas semanas, sem causar nenhuma sequela. Mas, caso seja uma depressão crônica, é fundamental ter acompanhamento de um psiquiatra", orienta o profissional. "A família também deve dar apoio. Com o tempo, a tendência é melhorar e retomar a vida, desde que a mãe siga com rigor o tratamento indicado pelo médico”.

Independente do grau, neste momento o apoio da família é de suma importância já que, de acordo com o psiquiatra, o cuidado com o recém-nascido fica prejudicado por parte da mãe. “Por isso, a ajuda da família e a intervenção terapêutica são fundamentais. Reconhecer que a depressão é uma doença como outra qualquer, e incentivar o tratamento, ajuda na recuperação da mãe”, incentiva. 

Se não for tratada, a depressão pós-parto pode interferir com o vínculo mãe-filho e causar problemas familiares sérios. Filhos de mães que têm depressão pós-parto não tratada são mais propensos a ter problemas de comportamento, como dificuldades para dormir e comer, crises personalidade e, até, hiperatividade. Os atrasos no desenvolvimento da linguagem também são comuns.

Segundo médicos, não há como evitar o primeiro episódio de depressão pós-parto. No entanto, é preciso ficar de olho nas mulheres que já manifestaram quadros depressivos anteriormente, no pós-parto, fora dele ou durante a gravidez, porque a possibilidade de repetir o episódio existe e quanto antes o tratamento for instituído, melhor.

Além dos tratamentos convencionais, é possível complementar o processo de cura com alimentos que combatem a depressão: tentar seguir uma dieta saudável, com alimentos ricos em energia, como pães e cereais. As frutas e verduras também não podem ficar de fora, assim como os peixes e semente de linhaça, que são ricos em ômega 3. A ingestão de água em abundância também colabora no processo de cura da depressão, além de manter a mulher hidratada e melhorar a qualidade do leite materno que, consequentemente, melhorará a relação entre mamãe e bebê.