O Victoza é mesmo pra você? O remédio que ficou famoso após estampar uma capa da Veja é muito mais complexo do que o milagre sugerido pela revista gplus

AreaH - Baixe grátis na Apple Store

AreaH - Baixe grátis na Google Play

   

O Victoza é mesmo pra você?

O remédio que ficou famoso após estampar uma capa da Veja é muito mais complexo do que o milagre sugerido pela revista

Confira Também

Quando se tornou capa da maior revista do país, no começo de setembro, o Victoza alcançou um status obtido, até então, por poucos medicamentos. Tudo aconteceu muito rápido, a droga, que começou a ser comercializada no país em junho de 2011, se tornou em apenas três meses o remédio do momento.

Desenvolvido e aprovado para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2, o Victoza é composto por liraglutida, um componente análogo ao hormônio GLT1. “O medicamento estimula a secreção de insulina pelo pâncreas, inibe a secreção de glucagon, que é um hormônio, produzido também pelo pâncreas, que, ao contrário da insulina, aumenta os níveis de glicose no sangue”, explica o dr Ricardo Meirelles, presidente da Comissão de Comunicação Social da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Além disso, ele torna mais lenta a passagem dos alimentos do estômago para o intestino, retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a saciedade. Por isso, os diabéticos que utilizam o remédio acabam perdendo peso.

Essa diminuição do apetite e a perda de vontade de ingerir determinados alimentos fizeram com que alguns pesquisadores iniciassem um estudo sobre o uso do Victoza com o objetivo de auxiliar no emagrecimento de pessoas obesas. A questão é que esses estudos ainda estão em andamento e o seu uso para este fim ainda não foi aprovado, e pode ser que nem seja.

“O perigo de ministrar o Victoza para pacientes obesos está principalmente na dose aplicada, que, para estes casos, é maior do que aquela dada aos diabéticos”, explica Alexander Benchimol, endocrinologista e membro da diretoria da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Na prática, isso quer dizer que, enquanto para tratar diabéticos a dose aplicada diariamente fica entre 1,2 mg e 1,8mg, aos obesos ela gira em torno de 2,4 mg.

Segundo o dr. Alexander, isso não significa que pacientes que tomem 1,2 mg não vão emagrecer, já que isso depende de como o organismo reage ao remédio.

“Todas as informações que temos sobre a dose indicada para o tratamento de obesidade vêm de dados de estudos preliminares”, explica ele. Quando a revista chegou às bancas, o que mais impressionou foi o fato de uma mulher aparentemente normal estampar a capa mostrando os benefícios da medicação. Isso porque, os estudos que estão sendo feitos levam em conta apenas pacientes obesos, com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 30. Para casos de sobrepesos, como o da mulher da capa, o remédio não chega nem a ser cogitado.

A prescrição do Victoza para casos de obesidade é aquilo que os médicos chamam de “prescrição fora da bula”, ou seja, a medicação é utilizada para finalidades diferentes daquelas para as quais ela foi aprovada pela Anvisa. “Apesar de nada ter sido concluído, a liraglutida parece ser uma droga bastante promissora para o tratamento de obesos”, afirma Alexander.

“Os efeitos colaterais mais comuns apresentados pelos pacientes que usam o Victoza, seja para o tratamento de diabetes ou para emagrecer, são náusea e diarreia”, explica o dr Ricardo Meirelles. Apesar disso, segundo o dr. Alexander, normalmente, o incômodo é passageiro e ocorre no inicio do tratamento.

Além dos efeitos conhecidos e outros que só serão descobertos daqui muitos anos, o remédio tem alguns outros poréns. Um deles é o uso diário, feito por meio de uma injeção, que deve ser aplicada sob a pele (via subcutânea). Outro ponto negativo é o preço, ainda salgado. Segundo dr Ricardo, o gasto mensal depende da dose que é lhe é receitada, mas pode chegar a R$ 600 reais por mês. Além disso, não existe data para o fim do tratamento. “A obesidade e a diabetes são doenças crônicas e por isso devem ser tratadas em longo prazo. Com o tempo e a conclusão dos estudos, ficaremos mais seguros para indicá-la para um tratamento de longa duração”, explica o dr. Alexander.